A difícil arte de largar






Como é difícil LARGAR o que nos incomoda e seguirmos a vida. Como é difícil largar mão de nossos desejos “neuróticos” do tipo “eu acho que assim é melhor porque ASSIM É melhor“. De onde tiramos a ideia de que podemos controlar o mundo a nossa volta? Quando foi que passamos a acreditar nesta sedutora mentira? 


Luiz Gasparetto afirma: O sofrimento é do tamanho da teimosia


Segurar algo na mente é como segurar a respiração. Se você persistir, vai sufocar. Largar é uma arte. A atitude mais razoável diante dos problemas – leia-se: as coisas não serem do jeito que queremos – é resolver rapidamente aquelas que podemos resolver ACEITAR aquelas cuja resolução está fora do nosso alcance, e o mais importante e difícil – onde está a verdadeira arte – que é SABER DISCERNIR o que podemos e o que não podemos resolver. Às vezes nos magoamos com as pessoas, ou com a vida, porque esperamos certas ações ou conduta e elas não vem, não acontecem. Quem prometeu, não cumpriu. Daí a frustração, daí a mágoa, daí o ressentimento e todas as péssimas consequências que se manifestam com uma pessoa ressentida, que vai desde a uma piora na saúde até o mau aproveitamento da vida, numa atitude tipicamente mimada: “Se não for como eu quero, então não brinco mais”.
Mas quem disse que promessa é dívida não imaginava o quanto um ser humano pode ser, imperfeito. Se tem algo que a vida NÃO nos dá, são GARANTIAS.
Esqueça. Faça você O MELHOR QUE PUDER e quanto aos outros, esteja sempre preparada pra tudo. É a vida, é o ser humano. NINGUÉM É OBRIGADO a aturar os outros. Podemos ficar aturando os defeitos de alguém durante anos, numa vã expectativa de que a pessoa um dia mude, mas convenhamos, a vida é tão boa, tão cheia de possibilidades para ficarmos apegados a um “zé mané” que não quer nada com a vida. Bola pra frente.
No ramo imobiliário há um lema super construtivo e motivante: Sempre há outra oportunidade depois da esquina. Vejo que esse lema vale pra vida. Basta acreditar. Esperar, confiar. E sempre entendendo a DIFERENÇA entre ESPERANÇA e EXPECTATIVA.
A primeira ABRE caminhos, a segunda, LIMITA os caminhos. A primeira ANIMA, a segunda, FRUSTRA.
O perdão cura a alma, porque a alivia do peso de segurar o que não a serve mais, ou que nunca tenha servido. Alivia porque perdoar é largar o que não é pra nós. Vive-se ainda com a péssima ideia que perdoar é aceitar os defeitos dos outros e CONTINUAR CONVIVENDO com eles.
Que ideia mais infeliz fizeram do perdão. Perdoar é ACEITAR que as pessoas e a vida, não são e jamais serão do modo como imaginamos ser o melhor. Perdoar jamais será a obrigação de se conviver com gente cujo comportamento não “se encaixa” mais com o nosso modo de vida. Perdoar é largar no sentido da mais bela reflexão sobre o amor que já encontrei: Se você ama, deixe ir. Se voltar, é seu, se não voltar, NUNCA FOI SEU! E aceite que nunca foi seu. Porque haveria de ser?
No noticiário vemos que o mundo tá cheio de miséria. Desligue a TV. Há também muita coisa boa, muita gente boa querendo conhecer alguém como você. Dê-se a chance. Dê-se o melhor. Você merece!
Largar é confiar que a vida nos reserva algo melhor. Se não dá de um jeito, então porque forçar a barra? Esperar quem ficou de não vir?

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